{"id":424,"date":"2021-10-05T09:56:49","date_gmt":"2021-10-05T12:56:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8080\/wp-e7-streaming\/?page_id=424"},"modified":"2022-09-21T23:55:27","modified_gmt":"2022-09-22T02:55:27","slug":"curadoria","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/verouvindo.com.br\/6verouvindo\/curadoria\/","title":{"rendered":"Curadoria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1407 size-medium\" src=\"https:\/\/verouvindo.com.br\/6verouvindo\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/p>\n<h4><strong>Amanda Mansur<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c9 professora do Centro Acad\u00eamico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco \u2013 UFPE. Possui Doutorado pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Pernambuco e P\u00f3s-doutorado na University of Reading, no Reino Unido. Ministra disciplinas, oficinas e minicursos sobre teoria e pr\u00e1tica do audiovisual, al\u00e9m de atuar na \u00e1rea como produtora, continu\u00edsta e curadora. \u00c9 coordenadora do Laborat\u00f3rio de Imagem e Som do Agreste (LAISA). \u00c9 autora dos livros, O Novo Ciclo de Cinema em Pernambuco, UFPE (2010), A Brodagem no Cinema em Pernambuco, Editora Massangana (2019) e organizadora, juntamente com o professor Paulo Cunha, do livro A Aventura do Baile Perfumado: 20 Anos Depois (2016), lan\u00e7ado pela Editora CEPE. Atualmente ocupa o cargo de Secret\u00e1ria Adjunta, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia &#8211; SBPC, regional Pernambuco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><b>MOSTRA CURTAS PERNAMBUCANOS<\/b><\/h4>\n<p>A mostra de filmes de curta-metragem pernambucanos traz tr\u00eas obras com tem\u00e1ticas e abordagens distintas. O premiado curta-metragem Inabit\u00e1vel (2020), dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, conta a hist\u00f3ria de Marilene, em busca da sua filha Roberta, uma mulher trans que desaparece depois de uma festa. O filme retrata a dura realidade brasileira, vivida por sua popula\u00e7\u00e3o desde antes da pandemia, e acende o debate sobre o machismo, o racismo e o preconceito.<\/p>\n<p>J\u00e1 o document\u00e1rio Mini Miss (2018), dirigido por Rachel Daisy Ellis, acompanha cinco meninas, entre 3 e 5 anos de idade, que participam do concurso de beleza Mini Miss Baby Brasil. A narrativa \u00e9 contada pela perspectiva de uma menina de 4 anos, e traz uma vis\u00e3o sobre a primeira inf\u00e2ncia e sobre a resist\u00eancia das crian\u00e7as nesse universo dominado pelos desejos e pelas regras dos adultos.<\/p>\n<p>No curta O menino que morava no som (2019), o diretor Felipe Soares conta a hist\u00f3ria de Timba, menino pobre, surdo e perif\u00e9rico, que precisa lidar com as dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia do personagem, seus desejos e suas frustra\u00e7\u00f5es s\u00e3o compartilhados com o espectador pela concep\u00e7\u00e3o visual e sonora da obra. O filme aborda a tem\u00e1tica da dificuldade que algumas crian\u00e7as surdas da periferia do Brasil t\u00eam pela aus\u00eancia do contato com a Libras, n\u00e3o somente por causa de quest\u00f5es sociais, mas tamb\u00e9m por causa da falta de aceita\u00e7\u00e3o da surdez, em certas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><b>SESS\u00c3O MEM\u00d3RIA<\/b><\/h4>\n<p>\u201cO Rap \u00e9 um filme que n\u00e3o pode estar engavetado, por mais que seja de vinte anos atr\u00e1s, \u00e9 um filme muito atual. \u00c9 muito atemporal. Estou aqui, ainda contrariando as estat\u00edsticas, contando um pouco da minha hist\u00f3ria e espero contar por muito tempo ainda, por onde eu passar. As gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o por vir tem que saber o que acontecia e o que ainda acontece ao nosso redor, nas periferias das grandes cidades brasileiras. E a acessibilidade \u00e9 um ato de cidadania, de solidariedade, de amor.\u201d Essas foram as palavras de Garniz\u00e9, o protagonista do longa-metragem de document\u00e1rio, O rap do Pequeno Pr\u00edncipe contra as almas sebosas (2000), dirigido por Paulo Caldas e Marcelo Luna, ao saber da sele\u00e7\u00e3o do filme para a Sess\u00e3o Mem\u00f3ria, do Festival VerOuvindo de 2021.<\/p>\n<p>Passado-presente, centro-periferia, tradi\u00e7\u00e3o modernidade, tudo se mistura, quando na d\u00e9cada de 1990 a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica no Recife \u00e9 retomada. Os cineastas Paulo Caldas e Marcelo Luna, preocupados com a renova\u00e7\u00e3o da dramaturgia, utilizam o espa\u00e7o da cidade como cen\u00e1rio do filme. O rap do Pequeno Pr\u00edncipe contra as almas sebosas tematiza a viol\u00eancia urbana na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife, o espa\u00e7o onde a narrativa se desenvolve. O filme entra no cotidiano da periferia da cidade, para contar a hist\u00f3ria real do m\u00fasico Garniz\u00e9 e do justiceiro Helinho.<\/p>\n<p>Atravessamos a cidade a bordo dos skates, \u00f4nibus, carros e a\u00e9reas. Os movimentos travellings do ponto de vista dos ve\u00edculos identificam locais representativos da cidade \u2013 Avenida Conde da Boa Vista, Avenida Guararapes, Alto Jos\u00e9 do Pinho, o bairro de Casa Amarela. Uma cidade multifacetada, h\u00edbrida, diversa na sua pr\u00f3pria cultura, que est\u00e1 imersa em outras diversas culturas. A metr\u00f3pole perif\u00e9rica \u00e9 dotada de uma diversidade arquitet\u00f4nica e estrutural, e de seus interiores marginais, onde a viol\u00eancia sufoca e confina a popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>Assim como Garniz\u00e9, a cidade e o cinema seguem contando suas hist\u00f3rias. O Festival VerOuvindo torna O Rap acess\u00edvel e ativa essas mem\u00f3rias. \u00c9 importante conhecer o passado para entender o lugar que ocupamos no mundo. E, mais importante ainda, \u00e9 democratizar as mem\u00f3rias que se constitu\u00edram audiovisuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><b>SESS\u00c3O PARA JUVENTUDE &#8211; <\/b><b>SESS\u00c3O ALUMIAR<\/b><\/h4>\n<p>O fechamento da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes, ligada ao Minist\u00e9rio da Cultura, distribuidora e co-produtora de filmes brasileiros, criada em 1969), e de todos os \u00f3rg\u00e3os governamentais de ajuda \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, reduziu a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica no Brasil a quase nada, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90. Em 1993, com a cria\u00e7\u00e3o da Lei do Audiovisual e de outras leis de incentivo, o cinema brasileiro renasce com uma produ\u00e7\u00e3o que chama aten\u00e7\u00e3o e surge ao mesmo tempo em v\u00e1rias regi\u00f5es com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, com tem\u00e1ticas, sotaques, estilos e propostas est\u00e9ticas diferentes. Segundo a pesquisadora L\u00facia Nagib, em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es, promovidas entre 1993 e 1994, o pr\u00eamio Resgate do Cinema Brasileiro contemplou 90 projetos, produzindo um boom na produ\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Carlota Joaquina, a Princesa do Brasil, dirigido por Carla Camurati, foi lan\u00e7ado em 1995 e \u00e9 considerado o filme marco da retomada da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica brasileira. O filme tra\u00e7a um painel da vida de Carlota Joaquina, espanhola de nascimento que aos dez anos foi prometida em casamento a Dom Jo\u00e3o VI, pr\u00edncipe de Portugal. Carlota, decepcionada com o casamento, ficou conhecida por suas aventuras ad\u00falteras. A obra recria de maneira sat\u00edrica a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, faz refer\u00eancias ao per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia ao imp\u00e9rio e aborda a quest\u00e3o da miscigena\u00e7\u00e3o do povo brasileiro e dos conflitos da fam\u00edlia real no comando da Corte. O filme foi um sucesso de p\u00fablico, sendo visto por mais de 1 milh\u00e3o de espectadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>MOSTRA DE CURTAS PERNAMBUCANOS &#8211; LAB<\/strong><\/h4>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de 2021 traz uma novidade: filmes produzidos durante a pandemia da Covid-19 e realizados com recursos da Lei Aldir Blanc Pernambuco. Os tr\u00eas filmes de curta-metragem selecionados para esta mostra apontam para diferentes paisagens do estado e tamb\u00e9m para vidas impactadas pela pandemia.<\/p>\n<p>Cabocolino (2021) \u00e9 o primeiro curta de document\u00e1rio do diretor Jo\u00e3o Marcelo. O filme acompanha a saga do brincante Jo\u00e3o de Cordeira, um artista que luta para manter viva a tradi\u00e7\u00e3o do Bloco de Caboclinhos, do S\u00edtio Melancia, da cidade de Jo\u00e3o Alfredo, Agreste Pernambucano. Seu Jo\u00e3o, 78 anos, al\u00e9m de artista popular \u00e9 agricultor aposentado, e tinha o sonho de prestar uma homenagem ao seu av\u00f4 na cidade de Juazeiro do Norte, no Cear\u00e1. O filme mostra a viagem do artista popular, da escolha da semente no p\u00e9 de tambor ao encontro com o solo de seu antepassado.<\/p>\n<p>Nessa jornada, partimos de volta para o Agreste Meridional, mais precisamente para a Aldeia Fulni-\u00f4, no munic\u00edpio de \u00c1guas Belas. O filme de document\u00e1rio Ethx\u00f4 Nandudya (2021) \u00e9 uma dire\u00e7\u00e3o coletiva de Fernando Matos, Narriman Kauane, Raryson Freitas, Tayho Fulni-\u00f4, Thales Matos. A obra traz o impacto que o surgimento do coronav\u00edrus trouxe para a conviv\u00eancia social na aldeia. O povo Fulni-\u00f4 vinha acompanhando as not\u00edcias sobre a pandemia atrav\u00e9s da televis\u00e3o e da internet, mas acreditava que era imposs\u00edvel que o v\u00edrus chegasse ao Brasil. Quando a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena come\u00e7ou a ser infectada, eles tiveram que criar novas estrat\u00e9gias de conv\u00edvio, na tentativa de seguir as orienta\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>No filme O Rio, um itiner\u00e1rio po\u00e9tico (2021), dirigido por Adelina Pontual, o tempo e o espa\u00e7o s\u00e3o dilatados nas mem\u00f3rias de um rio e dos lugares que ele percorre. O curta \u00e9 inspirado no poema O Rio, de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, e traz um livre percurso po\u00e9tico de imagens e sons que simbolizam a trajet\u00f3ria do rio Capibaribe, desde sua nascente at\u00e9 seu desaguar no oceano, no Recife. O filme conta com a poesia de Bell Pu\u00e3 e com a produ\u00e7\u00e3o de Chica Mendon\u00e7a \u2013 Ch\u00e1 Cinematogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanda Mansur \u00c9 professora do Centro Acad\u00eamico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco \u2013 UFPE. Possui Doutorado pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Pernambuco e P\u00f3s-doutorado na University of Reading, no Reino Unido. 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